Não me leve a mal, eu sou uma das pessoas mais organizadas que conheço. Uma verdadeira planejadora de viagens. No Guia de Aventuras, inclusive no YouTube, dou várias dicas para otimizar seu planejamento, porque sim, um bom roteiro pode fazer toda a diferença, especialmente para quem quer aproveitar ao máximo a viagem (e economizar também!). No entanto, há algo incrivelmente encantador e enriquecedor em viajar sem um roteiro rígido – e foi exatamente isso que vivi em Belo Horizonte.
Tínhamos uma data de chegada e partida, e um objetivo claro: curtir o Carnaval na cidade e explorar Inhotim, já que sou apaixonada por arte e natureza. Mas, além disso? Nada estava decidido. Não sabia em que blocos ou festas iríamos, onde comeríamos ou mesmo que pontos turísticos visitaríamos. Eu só tinha minhas fantasias cuidadosamente planejadas, meus amigos e uma enorme dose de entusiasmo.
O Carnaval de Belo Horizonte ganhou força a partir dos anos 2000, com o crescimento dos blocos e revitalização da folia de rua. A festa se tornou uma das maiores do país e atrai milhares de pessoas todos os anos. A principal atração são os inúmeros blocos de rua, que se concentram principalmente na região central. Eu já tinha um desejo crescente de conhecer do Carnaval belo-horizontino, incentivada principalmente por amigos que haviam comparecido nos anos anteriores. Neste ano, finalmente consegui realizar esse plano!
O Encanto de Viajar Sem Roteiro
Ah, e um detalhe importante: esta foi uma viagem com amigos. Embora sempre fale por aqui sobre os benefícios de viajar sozinha – uma experiência transformadora –, há algo muito especial em viagens com amigos. Nessas ocasiões, fortalecem-se os laços e criam-se memórias que serão recontadas durante muitos anos. Além disso, viajar com outras pessoas significa abrir mão do controle. Não seguir apenas suas próprias vontades e planejamento. Ser influenciado pelos outros e, mais importante, saber fazer concessões e dialogar.
E isso me fez refletir: a vida, como as viagens, é imprevisível. Não temos controle sobre tudo, e aprender a abrir mão dessa ilusão é um grande passo para a felicidade. Por isso, viajar sem roteiro tem uma magia especial.
Futebol e Arte: O Inesperado Encanto de Belo Horizonte
Um dos momentos mais legais foi quando meu namorado, atleticano, sugeriu que fôssemos à Arena MRV, o novo estádio do Atlético Mineiro. Como boa mineira, eu sempre tive uma conexão emocional com o time – meu avô também era atleticano, e lembro até hoje da caneca do Galo que ele usava. Fomos e, para minha surpresa, a Arena não era apenas para os fãs do futebol. A parte externa do estádio é um espaço aberto para as famílias: ali, pessoas andam de bicicleta, patins e até jogam bola. Depois de passear um pouco e admirar troféus e homenagens aos ídolos, fomos à lojinha comprar lembrancinhas. Eu comprei um galinho para meu avô e uma camiseta para mim, enquanto meu namorado comprou um boné, o que nos deu a oportunidade de concorrer a um par de ingressos para a final do Campeonato Mineiro. E assim, percebemos que o Carnaval e o futebol se entrelaçam na alma da cidade. Belo Horizonte vibra com a energia desses dois ícones culturais, mas há muito mais a ser explorado.



Seguindo nosso roteiro solto, decidimos visitar a Lagoa da Pampulha, motivados principalmente pela Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Oscar Niemeyer. A igreja é pequena, mas encantadora. O que mais me impressionou, no entanto, foi a maneira como o Carnaval contagiava toda a cidade. Não era só no centro que a festa acontecia; os bairros estavam igualmente animados, com bares decorados e música ao vivo em todos os cantos da cidade.
E no dia seguinte, a tão esperada visita a Inhotim. O maior museu a céu aberto do mundo, onde arte e natureza se encontram em harmonia. O museu é imenso, e há a opção de alugar carrinhos para percorrê-lo com mais conforto (e eu recomendo, pois o espaço é enorme!). É impossível explorar todos os cantos de Inhotim em um só dia, então é preciso escolher bem o que se vai visitar. Ali, descobre-se pouco a pouco grandes obras de arte e galerias entre os belos jardins temáticos. Outro detalhe que notei é que o local parece ser frequentado por pessoas com um maior poder aquisitivo. É compreensível, por fatores como o valor do ingresso (R$60), a dificuldade de acesso e a elitização em alguns ramos da arte. No entanto, o que realmente importa é que, para além de Inhotim, a arte de Belo Horizonte está em todos os lugares: nos muros grafitados, na culinária local, nos blocos e nos artistas de rua. A cultura popular permeia cada esquina da cidade, e isso é o que torna a viagem tão enriquecedora. E, mais uma vez, fica a reflexão: se jogar na arte, na cultura e nas tradições de um novo local é se lançar ao desconhecido, ao que não entendemos, ao que não controlamos.
A Surpresa do Destino
Alguns dias depois, soubemos que tínhamos ganhado os ingressos para a final do Campeonato Mineiro. Contudo, já estávamos de volta à nossa cidade, com a rotina de trabalho tomando conta de nós. O coração apertou ao saber que o Atlético venceu de goleada. Mas, sabe, a vida tem esse jeito de nos ensinar: por mais que nossos planos não se realizem exatamente como queremos, o universo tem um modo perfeito de ajustar as coisas. Às vezes, perder uma oportunidade é exatamente o que precisa acontecer.
E por isso, a minha lição é clara: viaje sem roteiro. Deixe-se fluir. Abra-se para o inesperado. Porque, no fim, a vida é sobre viver o que vem, e não o que você planeja rigidamente. Tudo se encaixa da maneira mais perfeita possível – às vezes, sem que a gente perceba.
Conclusão e Dicas para Viajar em Belo Horizonte: Se você está pensando em explorar Belo Horizonte, eu recomendo deixar-se levar pela cidade. Aproveite o Carnaval, explore os blocos de rua, descubra a arte escondida nos grafites e nas ruas e, claro, visite o Museu Inhotim – é uma experiência que vale cada momento. Mas, mais do que tudo, viaje sem um roteiro fixo. Deixe que a cidade e seus habitantes te conduzam. Você vai ver que a viagem será ainda mais rica e memorável.
