Essa história começa em Tiradentes e termina no Deserto do Atacama. O ano de 2024 foi especialmente desafiador para mim em termos de saúde, para dizer o mínimo.
Eu estava em Tiradentes durante a semana santa, uma época na qual os tapetes coloridos e as celebrações de Páscoa tornam a cidade ainda mais especial. Lembro-me da sensação de familiaridade que tomou conta de mim durante toda a viagem. Lembro-me também de parar num mercadinho a caminho do hostel, depois de um jantar, porque precisava comprar algo para a tosse incessante. Alguns dias depois, fui diagnosticada com uma bronquite.
A tosse me acompanhou duante um longo mês. No dia 21 de abril, parecia que tudo estava melhor. Eu me sentia bem e aproveitava o feriado de Tiradentes na Cachoeira das Irmãs. Fui com um grupo de mulheres que também adoram trilhas. Fizemos yoga, picnic e tiramos fotos. Mas apenas 24 horas depois, eu estaria no hospital com febre alta e uma infecção nos rins.
Depois disso, eu me sentia cansada e um pouco fragilizada. Ironicamente, foi o ano que eu mais viajei. Também comecei um doutorado e o Guia de Aventuras da Ceci no tiktok e youtube, depois de uma viagem para Delfinópolis.
Mas a cachoeira que mudaria tudo fica em São Thomé das Letras. No começo, parecia uma alergia. Depois de algumas semanas, já tinha retornado para casa e a situação não melhorava. Precisei ir para o hospital mais de uma vez. Depois de vários dias (e muita medicação), a “alergia” começou a regredir. Fui a uma dermatologista para invesigar melhor, mas quando os exames chegaram, a dor e inchaço nas articulações já tinha começado.
Não vou discutir o diagnóstico aqui, pois os médicos não concordaram a respeito. E sinceramente, iniciar uma discussão online a respeito está muito longe dos meus planos. O que vou dizer é que, durante vários meses, tive que lidar com uma artrite intensa. Dores constantes, inchaço e muita dificuldade para fazer movimentos simples, como descer uma escada. Não conseguia viajar por muitas horas com os pés para baixo. Precisei trancar o doutorado e acreditar que o tratamento funcionaria. Mas eu sabia que tinha 20% de chances de ter que lidar com algum grau de dor por pelo menos alguns anos.
Quem me acompanha por aqui, sabe que sou apaixonada por trilhas, aventura e natureza. Nesse ponto, tentei pesquisar a respeito de artrite, artrose e trilhas. As pessoas conseguem viver essa experiência mesmo com as dores articulares? Há algo que possa ser feito para amenizar o desconforto e o inchaço? Como conviver com a situação sem me privar do que eu gosto tanto? Não encontrei nada a respeito que me ajudasse.
Então, caso você esteja passando por algo parecido, e caso você esteja pesquisando o que pode te ajudar, eu espero que você encontre esse artigo.
O primeiro ponto que me ajudou foi a musculação. Em dado momento, a medicação conseguiu amenizar minhas dores suficientemente para que eu pudesse retormar minhas atividades físicas. Voltei com acompanhamento profissional. As cargas? Pouca ou nenhuma. Mas no primeiro dia, já senti meus tornozelos menos rígidos. E ao longo das próximas semanas, senti uma melhora sensível, especialmente nos dias nos quais frequentava a academia.
Outro ponto essencial: meus sapatos. Nada de rasteirinhas, sapato apertado ou alto alto. Comprei chinelos específicos para amenizar o impacto nas minhas articulações, que uso até hoje. Depois de algumas semanas, consegui usar tênis por períodos curtos de tempo sem que meu tornozelo inchasse. O resto veio com o tempo, mas a partir de então, eu sempre priorizo conforto e saúde ao escolher meus sapatos.
Precisei, por fim, de uma boa dose de paciência. Essa talvez seja a parte mais difícil. Com dores e limitações, você só quer que tudo passe logo. Você não sabe o que vem pela frente. Será que sempre vai ser assim? Precisei partir da premissa que talvez a resposta fosse sim. Assim, ao invés de focar em uma recuperação que eu não sabia se ou quando viria, foquei em conviver da melhor forma possível com o problema. Além dos sapatos, fiz adaptações no meu dia a dia para que pudesse manter os pés para cima ao trabalhar. Precisei dar um passo para trás em algumas coisas e seguir com cautela.
Conforme mencionei, a musculação me proporcionou uma maior disposição e mobilidade. Isso me encorajou a testar um pouco os meus limites, começar a caminhar e viajar. As primeiras trilhas foram leves e devagares, mas um passo importante para mim. Nesse momento, foi importante estar com pessoas conhecidas, que entendiam a minha situação e respeitavam o meu ritmo. Mas antes de tudo, é necessário que você mesmo escute seu corpo com atenção, carinho, cuidado e a tal da paciência.
Desde então, posso dizer que tenho aproveitado bastante: comemorei meus 30 anos, fiz várias viagens, pulei carnaval, retomei o doutorado e comecei a natação. Há alguns meses atrás, fui no Deserto do Atacama. O que eu espero que esse texto seja para você que está vivendo algo parecido? Um recado para viver um dia de cada vez e não se deixar levar pelo desespero. Talvez você precise adaptar algumas coisas na sua vida e, sendo bem realista, talvez até precise adaptar um pouco os seus sonhos. Mas você sempre pode se reinventar e viver da melhor forma que pode nesse momento.ar surpreender pela diferença, reconhecer a diversidade de modos de existir e, talvez, voltar para casa com uma nova percepção sobre o que é viver. Afinal, o maior presente de uma viagem não é a foto perfeita ou o souvenir que trazemos, mas a transformação silenciosa que acontece quando deixamos o mundo nos ensinar.

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